Bia Lombardi

"A woman may very well form a friendship with a man, but for this to endure, it must be assisted by a little physical antipathy." - Nietzche

AUTHOR: Bia Lombardi DATE: 10/03/2005 12:24:00 am ----- BODY:
Tem um monte de pensamentos e sensacoes girando a 300km/h na minha cabeça agora. E como se eu não tivesse referencias. Referencias pessoais. Como se eu fosse aquilo que eu faço e não o que sou. Agora eu faço coisas diferentes, com pessoas diferentes. Que estão construindo uma nova Bia a cada dia que passa. E embora seja incrível essa mudança, e essas pessoas sejam tão igualmente incríveis, eu me sinto perdida... Sexta-feira. Despedida. Não so minha, mas de uma historia. Uma historia de todos nos, de todos os 6. Festinha alcoólica no camarim. Presença mais do que querida de Mauro e Maurício. Os dois com quem comecei a tocar na noite aos 20 anos! Faltaram Roger e Ado pra completar a sessão “remember”, depois eu puxo a orelha. Uma noite especial, onde laços de amizade foram confirmados e onde o passado ficou enterrado e deixado pra trás. Agora so sobraram as risadas e os momentos bons. Porque nem tudo que a gente ama, pode dar certo? Eu ate que me controlei bem durante as duas entradas. O show foi excelente, estávamos felizes, confiantes. Mas quando chegou a hora da ultima musica, Candy – of course, o De pegou o microfone e começou a cantar: “Essa e a musica da Bia...” e ai, não teve jeito. Chorei MUITO, fiz todo mundo chorar. A ficha caiu naquele momento. Eu ate cortei a musica na metade pois não tinha condicoes nenhuma de continuar. O engraçado e que apesar d’eu não suportar mais nem ouvi-la por “N” motivos , foi algo especial canta-la sabendo que seria a ultima vez. Como se agora na minha frente so houvesse uma estrada vazia, nova, pronta pra ser percorrida. Percorrida somente por mim. Vcs tem nocao do quanto isso e aterrorizante? E fora que o RESTO da vida também ta complicado. Comigo revisitando situacoes por total “cabecice dura”. Saturno rox pessoas, o mundo inteiro MUDANDO com uma velocidade espetacular e eu SOZINHA segurando firme pra não ser levada por ele. Pela primeira vez sou eu tomando as decisões. Sem ninguém pra ajudar, sem ninguém que entenda, sem ninguém pra abraçar a noite quando tudo fica mais difícil. E eu fico querendo... well, nevermind. Can't really say it here, anyway... Tem uma seria no fantástico da filosofa Viviane Mose que chama “Ser or Não Ser”. Esse foi o tema do domingo passado...and I can totally relate to this feeling. Leiam caso achem interessante, e algo que vem ocupando muito a minha cabeça ultimamente. Se não, pulem pras fotos direto. As vezes, uma imagem vale mais do que mil palavras. Vivemos em excesso de vida. Vida sobre vida. Eu acho que falta um pouco de falta de ação, uma coisa da contrição, da observação”, diz o monge budista Daju Sam. O mosteiro zen budista Morro da Vargem, nas montanhas de Ibiraçú, Espírito Santo, é um lugar onde a disciplina rigorosa se transforma no caminho para o alto conhecimento e o equilíbrio entre a mente e o corpo. Lá, os monges exercitam a não ação. Tentam atingir um estado de contemplação diante dos desejos e paixões do mundo. Mas o que será que o zen budismo tem a ver com o pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer? Muitas coisas. Uma delas pode ser resumida em uma pergunta. Querer ou não querer? Para Schopenhauer, os homens são como marionetes, comandadas por fios invisíveis. Esses fios estão dentro de nós e se chamam vontade. A vontade, segundo o filósofo, é o princípio fundamental da natureza, a força cega e incontrolável que move o mundo. Uma força que se manifesta não só na natureza, mas no homem, desde os primeiros dias de vida. O bebbê quer a mãe, o colo, sugar. Cristina é a enfermeira-chefe de uma maternidade no Rio. Ela tem a tarefa de administrar as vontades de bebês que acabaram de nascer. Além disso, ela tem de lidar com suas próprias vontades: conciliar o trabalho, com o casamento e três filhos. Cristina quer sempre mais. “Quero que meus filhos dêem certo, como já estão dando. Quero fazer meu mestrado. Quero emagrecer até o ano que vem. Quero trocar de carro”, conta. Para Schopenhauer, o homem, como tudo na natureza, está sujeito à força universal da vontade. Pensamos que dirigimos nossa vontade, mas ela é uma fome insaciável, um querer irracional e inconsciente, sem ordem, nem objetivo, que nos domina. Schopenhauer dizia que essa força incontrolável transforma o mundo num absurdo cruel e doloroso. A vida é sofrimento, ele diz, porque é um constante querer, eternamente insatisfeito. Toda a realização é o ponto de partida de novos desejos. E assim por diante. Na visão pessimista de Schopenhauer, a vida é uma queda perpétua em direção à morte. O prazer é apenas a ausência de dor. Não existe satisfação que dure para sempre. Neste mundo, onde o homem é marionete da vontade, a única liberdade viria da negação do querer, em não querer. Esta é uma forma de pensar que encontra, de certa forma, paralelo no budismo. “Quando é o desejo sobre o desejo, eu acho que isso atrapalha o homem. O excesso de vida vai acabar levando a uma grande morte”, diz o monge budista. Quando o homem nega o querer, o desejo, ele alcança uma paz imperturbável, uma calma profunda. A vontade, quando se desliga da vida, também se desliga da dor. Era o que Schopenhauer pensava. “Está faltando um pouco de silêncio, de plena observação. A sabedoria é a prontidão da mente. Esse mundo é impermanente. As coisas são transitórias. Você tem que estar sempre pronto para essa transitoriedade e para essa impermanência das coisas”, ensina o monge. Sofrer pode ser resistir a uma mudança constante que é necessária. E você pode atingir a alegria quando você entende a mudança e está nesse estado de prontidão. A individualidade, segundo Schopenhauer, também é uma grande fonte de dor. Nós sofremos porque o nosso querer particular entre em choque com o querer do mundo. Para o filósofo, o homem precisa se libertar da vontade individual e se reconhecer como parte de um todo, compartilhar com os outros o sofrimento de viver. É o caminho da compaixão. A filosofia do zen budismo está resumida na placa que se vê na frente do mosteiro. Ela diz: estudar budismo é estudar a si próprio. Estudar a si próprio é esquecer de si próprio. Esquecer de si próprio é estar uno com todas as coisas. Mas o pensamento de Schopenhauer encontra outra forma de se afastar da vontade: a arte. Ela permite ao homem olhar a vida de fora, contemplar a unidade do mundo sem ser afetado pelas paixões individuais. Assim, ele consegue se distanciar do sofrimento, ao menos por um instante. Para Schopenhauer, a música é a mais importante das artes, porque ela manifesta diretamente a essência íntima da vida, que ele chama de vontade. “A música é algo que se sente, realmente, na alma. Ela não precisa ser explicada. Ela é entendida de uma forma muito natural e qualquer pessoa, independente de raça, idioma, idade, entende a música”, diz o maestro e diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, Roberto Minczuk. Na música, o homem é capaz de contemplar essa força que o domina, em vez de ser arrastado por ela. Isso proporciona um grande prazer. O filósofo chegou a dizer que a música é a explicação do mundo. “Como se fossem moléculas, átomos, que, combinado, formam a água, o ar”, explica Minczuk. Através da música temos acesso à alegria mais profunda possível, a que vem do mais íntimo do nosso ser. O mundo é música.
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